
-Pai, vou me casar.
Pensou em divórcio,
nas lágrimas da traição,
na perda de uma vida recém-constituída.
-Pai, vou me casar.
Ficou quieto.
Rodou os olhos.
Perguntou:
-Quanto custa?
-Pai, vou me casar.
Sorriu para a filha.
Lágrimas em seus olhos.
Ela crescera e nem notara!
-Pai, vou me casar.
Quem era o cafajeste que tiraria o seu bebê de casa?
Qual o nome do pilantra?
O que fazia da vida?
Por que escolheu a SUA filhinha?
-Pai, vou me casar.
Mexeu no bigode.
Abriu a boca.
Olhos firmes:
-Não.
-Pai, vou me casar.
Pegou as mãos dela.
Olhou em seus olhos:
-Tem certeza disso, meu amor? Olha sua mãe e eu...
-Pai, vou me casar.
Não soube qual dessas atitudes tomar.
Abaixou o jornal.
Notou a esposa no canto da sala.
Escorregou pela cadeira.
Preferiu apenas dizer:
-Parabéns!